10 de setembro de 2023
Realmente não sei mais o que fazer
9 de setembro de 2023
Restart voltou ! Sdds
Que saudade da Fanny.
Esse apelido criei pra mim na época do ensino médio. Minha família me chama de teté e eu não queria amigos de escola me chamando assim, então logo criei meu Orkut como Fanny, que era abreviação do meu nome stephany.
Até meus 25 anos eu fui a Fanny.
Tinha cabelos alisado, me sentia uma capa de revista rsrsrs mas não dava bola pra minha família, sai de casa aos 19 anos, morei em outro estado, passei a viver uma realidade de classe média, era natural higiene, conforto, ouvidos, elogios, lazer. Era algo natural e humano.
Até conhecer o Rafael, num dos meus trabalhos para bancar a faculdade, afinal essa vida de classe média era a realidade de uma outra pessoa e descobri que por acaso eu era um gato da casa grande rsrsrs amava ser, mas a maldade começou a rondar, não havia mais condições de ser gato sem dono. Então eu mesma busquei o vôo. Por educação e bom senso. Nunca me esqueço do meu amado ex galgando seus estudos, enquanto eu aplaudia, fotografava, esperava ao lado de fora de suas reuniões por não fazer parte daquele mundo, como um gatinho acompanhante ou cão, a falta desses animais na minha vida afeto demais meu discernimento de realidade. Enfim, depois que pude buscar meus estudos acreditava que iria continuar a vida, mas estava enganada, os planos de Deus pra mim foi a morte da Fanny e tudo que ela havia conquistado, até mesmo sua memória se foi.
Sei que a Fanny era muito curiosa, buscou viver tudo que podia, até encontrar o Rafael e com ele reencontrar a stephany, aquela com família distante, cheia de problemas, muito pobre de tudo, com fome, medo, solidão.
Ela até foi feliz, fumou, dançou, viu a praia, entrou no mar, ouviu histórias que jamais havia imaginado. Um mundo novinho, um amor perfeito. Só que perfeição não existe queridona.
Geminiano, livre, filho de pescador.
Tivemos um filho feito numa Kombi, mas as consequências de ser pai e mãe vão rolar pela nossa eternidade. Agora com a vida de stephany, minha mãe não se reconhece ser avó, meu pai ontem mesmo estava apertando o pescoço do meu irmão mais novo em uma briga de porrada, minha irmã mais nova cheirando Pó, usando drogas a rodo, minha avó sendo Dona e não sabendo dividir seus bens até a geração de biza avó. E então stephany após 10 anos de vida como Fanny descobre porque não foi stephany e lamenta, todo santo dia, de morrer e continuar viva.
Rafael sempre foi carinhoso, sempre com positividade, sempre com sua maconha, mas que dentro do meu coração sempre soou alerta e perigo. Fanny aventureira e destemida já havia conseguido glória na vida, não existia queda, rsrsrs que engano.
A vida é sobrevivência.
Devemos comer, cagar a comida e dormir.
Junto aos cachorros e gatos.
Higiene é coisa chique.
Ter um teto e panos é coisa chique.
Poder comer é um privilégio.
O resto, todo o resto além disso, é luxo.
Bem vinda stephany a vida real.
Cuide bem do seu filho.
Não nascemos para ser feliz.
Nascemos para sobreviver.
E só.
Fanny morreu. Meus pêsames. Quem sabe toda aquela realidade e pessoas classe média alienada nem exista de fato. Eles não gostam da stephany, preta, empregada.
Que volta o mundo dá.



























































































